• 13 AGO 18
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    Uso racional dos antibióticos

    Doenças causadas por algumas bactérias só podem ser tratadas com antibióticos e o uso desses medicamentos requer bastante cuidado.

    Bactérias são seres microscópicos formados por uma única célula. Elas podem ser encontradas na água, no solo, no ar, em todo o planeta, enfim. Os especialistas garantem que, no corpo humano, sobretudo na pele e no sistema digestivo, o número de bactérias é maior do que o número de células. A grande maioria vive em perfeita harmonia com o hospedeiro e funciona até como mecanismo de proteção. No entanto, sob determinadas circunstâncias, algumas causam doenças que só puderam ser tratadas e curadas depois do advento dos antibióticos.

    O problema é que o uso abusivo e indiscriminado desses remédios na população e na agricultura fez com que parte das bactérias estejam desenvolvendo resistência contra seu mecanismo de ação e, como consequência, muitas doenças banais podem voltar a ser incuráveis.

    A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera alarmante a situação criada pelo mau uso dos antibióticos e que é preciso revertê-la. Para tanto, existem recursos que não podem ser negligenciados. Veja quais são:

    1) Não se automedique. Antibióticos só devem ser utilizados sob orientação médica para tratamento de infecção por bactérias. Não fazem o menor efeito nas infecções por vírus ou outros micro-organismos patogênicos.

    2) Siga rigorosamente a prescrição médica. Antibióticos só devem ser usados nas doses prescritas e no prazo determinado pelo médico. Em geral, as primeiras doses eliminam as bactérias mais frágeis e os sintomas melhoram. Se o tratamento for interrompido nesse momento, as mais fortes ganham espaço para continuar se multiplicando e transmitindo a resistência aos antibióticos para bactérias da mesma geração e das gerações seguintes.

    3) Respeite os horários previamente estabelecidos para manter, no organismo, a concentração do remédio necessária para combater todas as bactérias perigosas, fracas ou fortes, e evitar que se tornem resistentes à medicação.  Encurtar o intervalo entre uma dose e outra, por conta própria, também não acelera o processo de recuperação e favorece o mecanismo natural de luta pela sobrevivência das bactérias.

    4) Descarte os antibióticos com prazo de validade vencido e as sobras de medicamento para não correr o risco de utilizá-los em outra ocasião, quando podem ter perdido o efeito desejado.

    5) Leia a receita na presença do médico para ver se entendeu como deve tomar o medicamento. Dela deve constar, de forma bastante clara e legível, o nome do remédio, a quantidade e os horários de cada dose e a via de aplicação.

    É importante ainda saber que, durante o tratamento com antibióticos, a pessoa deve:

    1) evitar bebidas alcoólicas para não sobrecarregar o fígado, uma vez que é nesse órgão que tanto o álcool quanto a maior parte dos antibióticos são metabolizados. Não é que o álcool corte o efeito do remédio, mas pode alterar os níveis de sua concentração no sangue.

    2) informar-se sobre a interação do antibiótico com as pílulas anticoncepcionais. Embora não haja consenso sobre o assunto, há quem defenda que as pílulas podem ter sua eficácia comprometida pelo uso concomitante de antibióticos.

    3) consultar o ginecologista ou o obstetra sobre o antibiótico indicado para combater infecções bacterianas durante a gravidez. É sempre importante tratar a doença na gestante, mas indispensável selecionar o medicamento que menos atinja o feto em formação.

    4) substituir, sempre que possível, na hora de medicar as crianças, os antibióticos à base de tetraciclina, que podem afetar a coloração dos dentes em formação, por produtos equivalentes que não apresentem esse efeito colateral.

    Fonte: Drauzio Varella

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