• 22 NOV 19
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    Importância dos exames de rotina na manutenção da saúde

    A manutenção da saúde requer, além de bons hábitos alimentares e atividades físicas, conhecer o corpo e entender suas necessidades. Nesse contexto, a realização periódica dos exames de rotina funciona como uma boa estratégia de saúde preventiva, buscando detectar alterações no funcionamento do organismo antes mesmo que qualquer problema ou doença possa se manifestar. Conheça os 10 (dez) principais exames de rotina e suas importâncias:

    1)    Hemograma:

    Também conhecido como Hemograma Completo, é um dos exames de rotina mais comuns e mais solicitados pelos médicos. Ele se refere à contagem (total e percentual) dos chamados elementos figurados do sangue, que são as células e estruturas que compõem o sangue excetuando-se a parte líquida do mesmo (chamada plasma, quando o sangue é coletado com anticoagulantes). Além disso, também é dosada a hemoglobina, e são elaborados índices importantes para a avaliação das condições relacionadas às características destes elementos figurados, que são as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Cada um desses elementos está relacionado com funções diferentes e, portanto, suas alterações podem ajudar a detectar situações relacionadas a diferentes condições ou problemas de saúde.

    As hemácias são responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo, seu número e os parâmetros relacionados a elas, são muito importantes na detecção e avaliação de anemias, além de permitirem a verificação de algumas doenças hereditárias, relacionadas a defeitos de produção ou mesmo problemas adquiridos por intoxicações, ou outras causas.

    Os leucócitos são as células de defesa do organismo. Suas contagens globais e de suas subpopulações (linfócitos, neutrófilos, eosinófilos, entre outros) e avaliações são muito importantes para uma avaliação inicial de condições como infecções virais, bacterianas ou mesmo parasitoses intestinais, indicando a presença desses problemas e ajudando a avaliar inclusive o grau de severidade dos mesmos. Também são importantes avaliações relacionadas a problemas do próprio sangue e do local de produção dos elementos sanguíneos (medula óssea), como as leucemias e outras doenças do sistema hematopoiético, ajudando no diagnóstico precoce destas condições.

    As plaquetas, também conhecidas por trombócitos, são estruturas menores que uma célula, responsáveis pela etapa final do processo de coagulação evitando a perda de sangue por hemorragia. Sua contagem é muito importante, sobretudo em doenças que causam problemas hemorrágicos.

    2)    Glicemia (dosagem de glicose no sangue):

    A glicose é o principal combustível das células, sendo a fonte de energia mais relevante e importante para o funcionamento de todos os tecidos e órgãos do organismo. Seus níveis no sangue são, em geral, muito bem regulados por hormônios e diversos mecanismos existentes no organismo. Entretanto, em algumas situações este controle pode estar prejudicado e os níveis de glicose no organismo pode estar elevado, o que conhecemos como Diabetes (Diabetes Mellitus ou simplesmente DM).

    O Diabetes pode ser do tipo I (deficiência hereditária ou adquirida na produção de Insulina, principal hormônio regulador da Glicemia) ou do tipo II (quando há insulina suficiente ou até elevada, mas o controle dos níveis de glicemia não consegue ser realizado de forma adequada) que é a forma de Diabetes desenvolvida ao longo do tempo por maus hábitos alimentares e/ou sedentarismo. É um grave problema de saúde, que afeta muitas pessoas, e embora possa ser silencioso inicialmente (Tipo II), causa terríveis e graves problemas com o passar dos anos. A dosagem da Glicemia periódica é muito importante para a detecção precoce desta condição, e uma vez detectada sua alteração, e confirmado o Diabetes, a dosagem da Hemoglobina Glicada (Hb A1c) é fundamental para permitir a avaliação do tratamento e correta manutenção dos níveis de glicemia ou necessidade de ajuste do tratamento.

    3)    Avaliação dos Lipídios no sangue (Colesterol Total, suas frações e Triglicerídeos):

    Os lipídios, também conhecidos por gorduras, são substâncias importantes sob vários aspectos e desempenham muitas funções no organismo (o Colesterol, por exemplo, é precursor de diversos hormônios como os hormônios sexuais, entre outros), entretanto, seus níveis sanguíneos precisam estar em faixas consideradas adequadas, pois estão relacionados a problemas circulatórios, entre eles a Aterosclerose, que pode levar a complicações muitas vezes fatais, como o AVC (acidente vascular cerebral) e o IAM (Infarto agudo do miocárdio).

    O colesterol é dosado tanto na sua totalidade (Colesterol Total), quando nas suas frações (colesterol oriundo de diferentes formas de transporte do mesmo no sangue, as chamadas lipoproteínas), que levam os nomes de siglas relacionadas às densidades das lipoproteínas: Alta densidade (HDL, da sigla em inglês para High Density Lipoprotein), Baixa densidade (LDL, da sigla Low Density Lipoprotein) ou Muito Baixa densidade (VLDL, da sigla Very Low Density Lipoprotein). A forma como o Colesterol está distribuído no sangue, nestas diferentes lipoproteínas, é muito importante na forma como ocorre o processo da aterosclerose, sobretudo em pacientes que apresentam outros riscos de doenças cardiovasculares (como herança familiar, obesidade, diabetes, hipertensão, tabagismo, entre outros fatores de risco), por isso esteja sempre atento aos valores alvo para sua faixa de risco e siga as recomendações do seu médico, incluindo a manutenção dos tratamento e/ou dieta. A maior parte do colesterol é produzido no próprio organismo, a partir de outras fontes, logo, apenas a dieta pode não ser suficiente para seu controle, por isso o tratamento na sua totalidade é muito importante.

    Os Triglicerídeos são as gorduras de armazenamento do tecido adiposo (a popular banha) e seus níveis elevados na corrente sanguínea não são desejados, e podem indicar problemas de várias naturezas, como doenças cardiovasculares, hepáticas, entre outras.

    4)    Exame de Urina (Tipo 1 ou EAS)

    É o mais antigo e conhecido exame de análises clínicas e, desde os primórdios da medicina, permite avaliações das funções renais, evidências de infecções do sistema urinário, cálculos renais (pedras nos rins) e demais problemas do sistema urinário, além de outras condições do organismo (como o Diabetes por exemplo, uma vez que a glicose em excesso no sangue também aparecerá na urina a partir de concentrações mais elevadas de glicemia). Atualmente, esse exame pode ser realizado por sofisticadas técnicas e equipamentos, que permitem que esta avaliação seja feita de forma mais precisa e sensível.

    5)    Exames de Fezes

    Diferentes exames podem ser realizados nas fezes, com objetivos diversos. A avaliação realizada no exame parasitológico de fezes visa, sobretudo, a pesquisa da presença de parasitoses causadas por helmintos (vermes) ou protozoários (como amebas, por exemplo).

    A pesquisa de Sangue Oculto nas fezes é outro exame de rotina, importante sobretudo após idade mais avançada, e ou histórico familiar de problemas intestinais mais graves, como alguns tipos de câncer de intestino, ou do trato gastrointestinal como um todo, pois permite a detecção de pequenos sangramentos que passariam despercebidos, e assim permite o diagnóstico precoce destes problemas.

    Outros exames de fezes, que não são de rotina, permitem diferentes avaliações, como a Cultura de fezes tem por objetivo a identificação de bactérias causadoras de processos patogênicos intestinais; como diarreias infecciosas, permitindo a identificação da bactéria e com isso o tratamento mais adequado. Assim como outros exames, com diferentes objetivos (detecção de substâncias específicas nas fezes, pesquisa de vírus como o Rotavírus, entre outros. Ou seja, exames de fezes não são todos iguais.

    6)    Dosagem de Creatinina e Ureia (função renal)

    A creatinina e a ureia, são produtos da degradação de proteínas que são eliminados do organismo através dos rins, pelo seu processo de filtração do sangue. Por isso, essas substâncias são utilizadas como marcadores da função renal, sendo dosadas no sangue, com a finalidade de avaliar se suas concentrações estão dentro da normalidade, indicando o bom funcionamento renal. A creatinina é oriunda, sobretudo, da degradação dos músculos esqueléticos, e produzida a uma taxa constante ao longo do dia, já a ureia é sintetizada pelo fígado a partir da degradação dos aminoácidos originados do desmonte de qualquer proteína existente no organismo, incluindo aí o que foi absorvido na alimentação. Por isso, a ureia sofre mais influência da dieta (se for rica em proteínas, como carnes em geral) do que a creatinina, mas ambas são boas substâncias para serem dosadas como marcadores da função dos rins.

    Outro excelente marcador de dano renal, e consequência perda lenta e gradativa das funções dos rins, é a pesquisa de proteínas (sobretudo a albumina) na urina, pois na maior parte do tempo não deve existir proteína alguma na urina, pois essas não deveriam passar do sangue para a urina (a exceção é em caso de gestantes em adiantado estado de gravidez, pela pressão exercida sobre os rins e após atividades físicas muito intensas). A pesquisa de pequenas quantidades de albumina na urina se chama “Microalbuminúria” e sua avaliação é muito importante para detectar precocemente o dano ao sistema renal.

    7)     Dosagem de TSH e T4 Livre (função tireoidiana)

    A tireoide é uma glândula que produz hormônios responsáveis por controlar o metabolismo do organismo. O TSH é o hormônio que estimula a tireoide, e sua elevação pode indicar que a tireoide está necessitando de mais estímulo para funcionar corretamente, podendo indicar o funcionamento para menos da tireoide (ou seja, o hipotireoidismo). O T4 Livre é a forma da Tiroxina não ligada às proteínas de transporte, sendo um dos hormônios tireoidianos (que é convertido nos tecidos em T3, triiodotironina, que é o hormônio tireoidiano mais ativo), sua elevação pode indicar uma produção excessiva de hormônios tireoidianos, o chamado hipertireoidismo. Entretanto, diferentes causas (as mais comuns autoimunes, como a presença no sangue de anticorpos contra substâncias da tireoide, como anticorpos anti-tireoperoxidase e/ou anti-tireoglobulina) podem influenciar nesse processo, sendo imprescindível a avaliação médica cuidadosa e o acompanhamento com dosagens desses hormônios em diferentes momentos, para o correto diagnóstico e avaliação  0– da condição, seu tratamento e acompanhamento, até o controle da função tireoidiana.

    8)    Dosagem de PSA

    A partir de 45 anos de idade é indicada anualmente a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico), importante no acompanhamento e detecção precoce do câncer de próstata. Mais importante que o valor individual de um único exame, é a evolução dos níveis de PSA, e sua eventual elevação (a chamada velocidade do PSA). Além disso, se os níveis de PSA total estiverem entre 4,0 e 10,0 ng/mL, é importante também a realização do PSA Livre e avaliar a relação entre os dois, pois o valor dessa relação aumenta a capacidade do exame de indicar a possível presença de câncer de próstata.

    9)    Exames para DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis)

    A partir do início da vida sexual ativa, além de todas as precauções em relação à prática de sexo seguro, é importante também que periodicamente sejam realizados exames que pesquisem os patógenos causadores de doenças infecciosas, sexualmente transmissíveis, como Sífilis, HIV, Hepatites, Herpes, entre outras. Essa importância aumenta quando do início de relacionamentos (exames pré-nupciais) ou quando se iniciam os planejamentos para uma gravidez antes mesmo da concepção, e ao longo de toda a gravidez (exames pré-natais). Garantir sua saúde e a segurança de quem se ama é muito importante.

    10)  Enzimas hepáticas

    O fígado é responsável por vários processos de metabolismo no organismo, incluindo controle de lipídios, manutenção de nível glicêmico, metabolismo de medicamentos e substância em geral, produção de proteínas importantes para o organismo, substâncias envolvidas na coagulação etc. Entretanto, são várias as condições que podem afetar o funcionamento e causar danos irreversíveis ao fígado, como uso abusivo de álcool, vários medicamentos, doenças infecciosas, acúmulo de gordura (esteatose), cânceres, entre outros. Muitos destes processos são silenciosos, ou seja, não apresentam sintomas aparentes ou os sintomas são muito brandos. Dessa forma, as dosagens de enzimas hepáticas no sangue (TGP / ALT, TGO / AST, Gama GT, Fosfatase Alcalina) e também a dosagem das Bilirrubinas, podem indicar a presença de algum distúrbio ou lesão hepática, uma vez que o aumento no sangue significa que essas substâncias extravasaram das células do fígado, ou mesmo chegaram até o sangue após danos celulares ou até mesmo a morte de células do fígado. Pacientes em condições de risco, como usuários crônicos de medicamentos com potencial dano hepático (anti-inflamatórios, antibióticos, antiparasitários, entre outros), portadores de hepatites crônicas, usuários crônicos de bebidas alcóolicas mesmo que em tratamento, entre outros casos, necessitam de acompanhamento mais frequente por meio destes exames.

    Exames por faixa etária:

    Diferentes faixas etárias apresentam necessidades diferentes em relação dos exames de rotina. Além disso, alguns exames podem passar a fazer parte da rotina específica de cada paciente, por sua condição de saúde (por exemplo, os exames de coagulação para monitorar o uso de medicamentos anticoagulantes dos pacientes portadores de trombose), recém-nascidos necessitam realizar a triagem neonatal (teste do pezinho), por exemplo. De forma geral, a necessidade de outros exames pode surgir com o passar da idade, e outros exames podem ser acrescentados à rotina de cada paciente.

    Periodicidade:

    Geralmente esses exames devem ser realizados em conjunto com o check-up médico (avaliação clínica por parte do médico) e outros exames complementares que forem necessários, conforme a avaliação médica. Adultos saudáveis, em geral, devem realizar essas avaliações de 2 em 2 anos. Pessoas idosas, em situação de risco para alguma condição, e homens acima de 45 anos (PSA) devem realizar os exames com menor periodicidade (podendo ser anualmente ou até menos, como de 6 em 6 meses, a depender da condição avaliada).

    Interpretação dos resultados de exames laboratoriais:

    É importante frisar que, embora a informação e a preocupação com sua própria saúde sejam importantes por parte do paciente, a interpretação dos exames laboratoriais deve ser feita apenas pelo médico. Ele terá todas as informações clínicas, históricos e conhecimentos necessários para formar uma avaliação mais segura e consistente, juntamente com as informações fornecidas pelos exames.

    Autor:
    José Robson Venturim, MSc. Esp.
    Farmacêutico-Bioquímico
    Gerente Técnico/Científico – Tommasi Laboratório

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